FUTEBOL DE AMPUTADOS MOGI

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Corinthians Mogi é bicampeão brasileiro de futebol de amputados

Jogando em Mogi das Cruzes, equipe vence os sete jogos disputados e conquista o Campeonato Brasileiro da categoria pela segunda vez consecutiva.

O Corinthians Mogi conquistou, nesta terça-feira, o Campeonato Brasileiro de futebol de amputados. A equipe terminou invicta o torneio, disputado no formato de pontos corridos em Mogi das Cruzes-SP, e garantiu o segundo título seguido com uma rodada de antecedência. 

Foram sete vitórias nas sete partidas disputadas entre sábado e terça-feira. O Corinthians Mogi derrotou a outra equipe de Mogi das Cruzes, o Instituto Só Vida, por 2 a 1 na estreia. Depois, bateu a Adesul Fortaleza por 12 a 0, o Aparecidense por 5 a 0, o Audax Peruíbe por 3 a 1, a AmdaMG por 3 a 1 e a Adfego por 2 a 1. Com o título assegurado, o Timão ainda goleou o Futebol de Amputados SP por 8 a 1. A Adfego ficou com o segundo lugar, e o Audax Peruíbe terminou na terceira posição.

Além do bicampeonato, os jogadores do Corinthians Mogi receberam uma série de prêmios individuais. Rogerinho, atacante e capitão da equipe, foi o artilheiro com 13 gols. Digo foi eleito o melhor jogador do torneio. Gabriel terminou como o goleiro menos vazado do campeonato. E Rodrigo ganhou o prêmio de melhor treinador.

O resultado mantém a supremacia da equipe mogiana no futebol de amputados. Além do título nacional, o Corinthians Mogi é o atual campeão estadual, da Copa do Brasil e do Torneio Superação.

Fonte: globoesporte.globo.com

Reprodução/Tudo Timão: tudotimao.com.br

ABDF realizará a 4ª edição do Torneio Superação

Futebol de Amputados Mogi

A Associação Brasileira de Deficientes Físicos, ABDF, com o apoio da UMC, realizará no dia 22 de outubro de 2016 no Centro Esportivo da UMC a 4ª Edição do Torneio Superação de Futebol de Amputados, torneio criado em 2013 com o intuito de mostrar a superação e o preconceito dos atletas da modalidade.

Neste ano 4 equipes participam do torneio, Corinthians Mogi, Instituto Só Vida, Futebol de Amputados SP e AEDPG Praia Grande. A forma de disputa é bem simples, haverá o sorteio dos dois confrontos e os vencedores disputam o título e os perdedores disputam o terceiro lugar. "É uma forma de incentivar e fazer crescer cada vez mais a modalidade", comentou Rogerinho, capitão do Corinthians Mogi.
 
Os jogos eliminatórios acontecem às 9h e 10h e as finais no período da tarde, com a disputa do terceiro lugar às 14h30 e a final às 15h30. A entrada é franca.
 
 
 

O fenômeno do futebol de amputados

A bola procura o craque. Vestindo a indefectível camisa 9 alvinegra, ele desfila sua habilidade pelo gramado com rara frieza. Recebe o passe na intermediária, chapela o marcador e toca por cima do goleiro para abrir o placar. No segundo tempo, vira passeio. O último gol é uma pintura. Ele tabela dentro da área e serve de bandeja ao companheiro de ataque, que só tem o trabalho de empurrar para as redes. Goleada de 4 a 1 na final. Mais um show do R9, mais uma taça para o Timão.

Essa poderia ser a descrição fiel de uma partida de Ronaldo Fenômeno na época em que defendia o Corinthians, mas é apenas o resumo do que Rogério de Almeida, mais conhecido como Rogerinho ou R9, aprontou na final do Campeonato Paulista de Amputados, realizada no último sábado. Assim como o pentacampeão do mundo, o atacante, que foi artilheiro de todas as competições nacionais que disputou desde 2011, também é considerado um fenômeno em sua modalidade esportiva.

Rogerinho nasceu em 16 de março de 1981 sem a perna esquerda devido a uma má formação congênita. Sempre foi louco por futebol. Quando criança, participava das aulas de educação física como qualquer outro colega de escola, mas nunca pode competir. "Desde os sete anos eu jogava com os meninos da minha idade. Só que não me deixavam disputar campeonatos por causa da deficiência", conta. "Eu ia para os jogos como auxiliar do professor. Ficou essa frustração de não me sentir um competidor de verdade." Em 2001, aos 20 anos, um amigo lhe apresentou o futebol de amputados em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, e sua sorte mudou.

Seu faro de gol logo chamou a atenção de olheiros de outras cidades. Em 2008, jogou o Campeonato Brasileiro pelo time de Praia Grande. No ano seguinte, já disputava e vencia a primeira Copa América da categoria com a seleção brasileira, na Argentina, onde sagrou-se o maior goleador da competição. De lá para cá, Rogerinho se tornou muito mais que um craque. Virou militante do futebol de amputados em Mogi das Cruzes. Graças a ele, a cidade da região metropolitana de São Paulo se transformou no pólo brasileiro do esporte adaptado para quem não tem uma das pernas.

Com o apoio da prefeitura e entidades sociais como o Sesi, que oferece sua estrutura para a preparação dos times, e de empresas locais, que contratam atletas deficientes por meio da Lei de Cotas e os liberam para treinos e jogos, Mogi das Cruzes é hoje a cidade com mais representantes na seleção de amputados (seis jogadores, além do técnico Renê Quintas) e a que reúne mais atletas praticantes da modalidade (32, divididos em dois times). A final do Campeonato Paulista teve duas equipes mogicruzenses como protagonistas. Além do Corinthians, o Instituto Só Vida também faz parte do projeto encabeçado por Rogerinho.

"O grande desafio é divulgar o futebol de amputados e trazer mais gente para jogar", conta o craque, que corre atrás de patrocínios e parcerias para viabilizar a modalidade. Ao contrário de jogadores famosos, o R9 de Mogi das Cruzes não vive só da bola. Há 17 anos, ele trabalha como gestor financeiro e concilia a profissão com a militância pelo esporte adaptado. Ao lado de companheiros de time, o atacante faz visitas frequentes a escolas da região para mostrar o futebol de amputados a crianças e adolescentes. "Acima de jogos e resultados, é importante conversar com as pessoas, principalmente as mais jovens, sobre a necessidade de respeitar as diferenças."

Juliana Jacques, esposa de Rogerinho, atua como psicóloga no projeto. A maioria dos atletas vem de outras cidades e mal consegue se equilibrar sobre as muletas no primeiro contato com a modalidade. Muitos falam em desistir. Era o caso de João Batista Santos, zagueiro do Instituto Só Vida. Agora, além do futebol, ele já acumula mais de 40 medalhas em provas de corrida e treina para uma ultramaratona. Exemplos diários de superação que fazem Rogerinho não poupar esforços para seguir em sua luta. "Já tive que tirar dinheiro do bolso várias vezes para manter o projeto. Mas cada centavo vale a pena. A gente prova que a pessoa com deficiência é capaz, que todos podem jogar futebol."

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"Não somos pobres coitados. Somos atletas"

Felipe Gonçalves, o Formiga, era um atacante raçudo da várzea no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Hoje, aos 25 anos, enverga a camisa 5 do Corinthians. Às vésperas do Natal de 2011, ele andava pelo bairro com três amigos quando foi atropelado na calçada. Só acordou no hospital. Os médicos já haviam amputado sua perna esquerda, que acabou prensada em uma coluna de ferro no momento do acidente. "Naquele dia pensei que o futebol tinha acabado pra mim", diz. O motorista que o atropelou fugiu sem prestar socorro e desapareceu. Felipe superou o trauma somente em 2012, ao entrar para o time dos amputados de Mogi.

"O futebol me ajudou a aceitar a amputação", conta. "Quando cheguei aqui, pensava que minha história era a mais triste de todas. Mas, ao conhecer melhor a vida de cada um, percebi que tenho sorte. Depois disso, virei outra pessoa." No ano passado, ele foi convocado para a seleção de amputados e ajudou o Brasil a ganhar o tricampeonato da Copa América, no México.

Na final do Campeonato Paulista, Formiga recebeu gritos de incentivo de oito amigos integrantes da Pavilhão 9, uma das organizadas do Corinthians. A presença de torcidas uniformizadas não é novidade nos jogos dos amputados. Na decisão do Estadual em 2015, um jogador foi expulso depois de subir no alambrado para comemorar o gol com a Gaviões da Fiel, principal organizada alvinegra, que compareceu em peso na arquibancada. Por ironia, boa parte da equipe é formada por são-paulinos, incluindo Rogerinho.

A parceria com o Corinthians surgiu no início do ano passado. Por enquanto, o clube fornece apenas uniforme e o direito de usar sua marca. Com a projeção do time de Mogi, Rogerinho espera que mais clubes tradicionais do futebol brasileiro apoiem equipes de amputados em outros estados. No próximo dia 23 de julho, no intervalo da partida entre Corinthians e Figueirense pelo Campeonato Brasileiro, os jogadores do Timão mogicruzense serão saudados pela torcida na Arena Corinthians.

Ainda não é um jogo de exibição, mas, para os campeões de muletas, o simples fato de entrar no estádio corintiano representa uma grande conquista. "Por causa da deficiência, muita gente imagina que o futebol de amputados é uma brincadeira, um jogo sem graça. Mas a gente leva a sério. Para nós, é esporte de alto rendimento. Por isso que, quando visto a camisa para entrar em campo, esqueço que sou são-paulino. É um orgulho enorme poder contar pra todo mundo que eu jogo no Corinthians", diz Rogerinho. Já Felipe vai além para explicar que a causa dos amputados não é pela compaixão dos outros, mas sim pelo direito de competir. "Não somos pobres coitados. Somos atletas."

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Um sonho paralímpico

No rosto de cada atleta, é visível o esforço para se sustentar sobre as muletas e correr atrás da bola. O futebol de amputados rema em direção contrária à própria essência do jogo, que, em tese, seria uma atividade praticada com os pés. Mas eles provam que não é preciso duas pernas para chutar, passar e driblar. Tampouco são necessárias duas mãos para executar uma defesa milagrosa. Nessa modalidade, o goleiro tem de ser um atleta amputado de um dos braços. As partidas são disputadas em campos soçaite, com sete jogadores de cada lado e dois tempos de 25 minutos. A muleta não pode tocar na bola de maneira intencional. Fora isso, as regras seguem o padrão do futebol.

"Não podemos usar a muleta como arma", observa Rogerinho, com a experiência de quem já presenciou algumas tretas ao longo da carreira. Na Copa América do ano passado, por exemplo, um jogador brasileiro deu uma "flechada" (quando o atleta atira a muleta com as mãos em direção ao adversário) em um argentino depois de receber um carrinho por trás. Não que o esporte seja violento. Mas, assim como no futebol convencional, encaradas, divididas e lesões são corriqueiras em jogos de amputados. Só na final do Paulista que a reportagem acompanhou, quatro atletas tiveram de deixar o campo machucados. Ossos do ofício, dizem.

Apesar da disputa acirrada e de ser praticado em mais de 35 países, o futebol de amputados ainda não é considerado esporte paralímpico – o que dificulta muito a popularização da modalidade no Brasil. "Não recebemos apoio nem recursos do Comitê Paralímpico Brasileiro", afirma Rogerinho. "Temos de dormir em escolas quando viajamos para os campeonatos, fazer vaquinhas e alguns sacrifícios para o projeto não morrer." O Corinthians Mogi já desistiu de campeonatos por falta de dinheiro para bancar as viagens. Atual campeão brasileiro e invicto há mais de dois anos, o time precisa arrecadar fundos para disputar o Mundial de Clubes no fim do ano, em Guadalajara, no México. Sua participação no torneio ainda é uma incógnita.

Com seus gols dentro e fora de campo, R9 trabalha para que o futebol de amputados seja incluído nas Paralimpíadas de 2020, no Japão. Lá, um atleta brasileiro com passagem pelo projeto em Mogi já atua como embaixador da modalidade. Outra façanha que Rogerinho quer realizar é a de ser campeão mundial com a seleção brasileira, único título que ele ainda não tem, em nome de seus três filhos que o inspiram. "Nunca pensei em desistir. Vou lutar muito para alcançar esse objetivo."

Felipe compartilha do mesmo sonho e resume bem o que significa chegar lá. "A gente tem de enxergar o lado bom da vida. Não fosse a amputação, eu jamais teria a chance de vestir a camisa da seleção e jogar uma Copa do Mundo." Salve o Corinthians Mogi e o futebol de amputados, que, alheio a todas as barreiras, sempre altaneiro, é o orgulho dos desportistas com deficiência do Brasil.

Fonte: vice.com Por: Breiller Pires

Corinthians Mogi vence e sagra-se campeão Paulista

No último fim de semana, o Corinthians Mogi venceu o Instituto Só Vida por 4 a 1 e sagrou-se campeão Paulista de futebol para amputados. Os gols foram marcados por Leandro, Rogerinho R9, Digo e Clovis. Organizado pela Associação Brasileira de Deficientes Físicos, em parceria com o SESI e com a Secretaria de Esportes de Mogi das Cruzes, a competição teve início em março e após seis rodadas o Timão chegou à decisão.

Há mais de dois anos sem perder, o Corinthians chegou à final como grande favorito e, em campo, fez valer a superioridade. O atleta do Alvinegro, Rogerinho, comentou sobre a partida após a conquista da taça. “Sabíamos da dificuldade que seria jogar contra o Instituto Só Vida, é um time que marca muito bem e vem crescendo bastante nos últimos campeonatos. Mas com ótima estratégia e bons jogadores, conseguimos sair com a vitória e levantar a taça do campeonato”, disse Rogerinho.

Esta foi a sexta disputa do Campeonato Paulista pela equipe do Corinthians Mogi. Ao todo foram quatro títulos conquistados (2011, 2014, 2015 e 2016) e dois vice-campeonatos.

Corinthians Mogi: Fabio, Fera, Clovis, Serginho, Felipe, Edson, William, Moises, Digo, Adilson, Rogerinho, Leandro e Diegao.

Treinador: Rodrigo

Confira a campanha do título abaixo:

Corinthians Mogi 04 x 00 AUDAX Peruíbe

Corinthians Mogi 07x00 Futebol de Amputados SP

Corinthians Mogi 05x01 Praia Grande

Corinthians Mogi 04 x 02 Instituto Só Vida

Corinthians Mogi 04 x02 Cosmocity

Corinthians Mogi 07x00 AMDA Minas

Fonte: corinthians.com.br

Times de Mogi estreiam com vitória no Paulista

As duas equipes de Mogi das Cruzes, Corinthians/Mogi e Instituto Só Vida, começaram bem a sétima edição do Campeonato Paulista de Futebol de Amputados, organizada pela Associação Brasileira de Deficientes Físicos (ABDF). A primeira rodada foi disputada no sábado passado, no Sesi de Brás Cubas, em Mogi, e as duas equipes da cidade saíram de campo vitoriosas.
Com facilidade, o atual campeão estadual, Corinthians/Mogi, goleou o Audax de Peruibe, por 4 a 0. Formiga marcou os dois primeiros gols do Timão. Digo marcou o terceiro e o craque Rogerinho, que já havia oferecido assistências para dois gols, fechou o placar. A goleada só não foi maior porque o goleiro do Audax, Vagner, se destacou com grandes defesas.
Já a outra equipe mogiana, o Instituto Só Vida, enfrentou um novo time formado na capital paulista, o Futebol Amputados SP. Apesar das dificuldades de penetrar na defesa adversária, os mogianos garantiram a vitória por 1 a 0. O gol solitário da partida foi marcado por Alan, em cobrança de falta.
2ª rodada
Na próxima rodada será a vez do confronto entre mogianos: Corinthians/Mogi x Instituto Só Vida, em jogo marcado para acontecer amanhã, em Osasco. Além desse confronto, o AMDA Minas encara o Futebol Amputados SP. Audax de Peruibe e Cosmocity fazem o último jogo da segunda rodada.
 

Rogerinho, capitão do Corinthians Mogi

Nosso entrevistado da semana é o responsável pelo time de futebol de amputados de Mogi das Cruzes, Rogerinho R9. Mogiano com 35 anos, Rogerio Rodrigues de Almeida nasceu com malformação congênita em sua perna esquerda. Motivo para desistir do esporte? Nem em pensamento, com 7 anos de idade Rogerinho não perdia os jogos de futebol na escola e passou a frequentar escolinhas de futebol. Sempre junto ao esporte, atualmente é um dos principais batalhadores pela modalidade não apenas em Mogi mas no Brasil inteiro.
 
Como começou seu interesse pelo esporte, em especial o futebol?
Com 7 anos de idade eu jogava na escola e também passei a frequentar a escolinha de futebol do Campestre mas por causa da deficiência eu apenas participava dos campeonatos internos, mas tinha muita vontade de participar dos campeonatos oficiais. Com 18 anos eu conheci a modalidade de futebol para amputados e em 2007 comecei a participar do time da ADPG, em Praia Grande. Eu ia para o litoral frequentemente para participar dos treinos e jogos, foi um período muito difícil, não tinha condições de custear as despesas e a viagem era muito cansativa, nosso treino era das 12h às 13h então muitas vezes nem dava para almoçar.
 
Você foi o idealizador do projeto de futebol para amputados em Mogi?
Em 2009 comecei a montar o time de futebol de amputados em Mogi, no começo foi muito complicado pois não tinha muitos atletas e começamos com 6 , mas depois que montamos o site começamos a receber mais pessoas interessadas em jogar conosco. Com o tempo chegaram bastante atletas e tivemos que montar os dois times, que são o SMEL Mogi e o Instituto Só Vida. Não achava justo quando tínhamos campeonato para participar, ter que deixar algum atleta sem poder jogar então resolvemos montar dois times com nomes diferentes e focos diferentes também, o SMEL Mogi para alto rendimento e o Instituto Só Vida como integração. Os dois times treinam juntos e os atletas que vãoganhando destaque no Instituto acabam vindo também para o SMEL. Nós temos um número muito pequeno  de baixas, de aproximadamente 40 atletas que passaram pelo time em 7 anos de existência apenas 10 saíram.

Quais as dificuldades encontradas no inicio do projeto em Mogi?
Começamos a treinar no Mogi Soccer, depois fomos para o Náutico e depois conseguimos o SESI onde a estrutura melhorou bastante. Hoje treinamos de quarta-feira na UMC das 19h às 22h e aos sábados no SESI das 8h30 às 12h. Como não tínhamos apoio financeiro também achava injusto ter que cobrar dos atletas para participar então passei a procurar parcerias e empresas interessadas em ajudar o projeto custeando o transporte e alimentação dos atletas. Por exemplo o professor Benê fez trabalho voluntário por 4 anos se dedicando ao projeto. Mas este esforço valeu a pena pois conseguimos fazer um bom trabalho e hoje somos referência na modalidade em questão nacional, somos a base da seleção brasileira de futebol de amputados já por 2 anos.

Como foi fechar a parceria com o Corinthians?
Depois que montamos o projeto começamos a montar documentários e a fazer exibições em vários lugares. Acreditava que se tivéssemos o apoio de algum clube de camisa, algum clube grande a exposição seria maior e poderia trazer mais benefícios para a modalidade. Tentamos a primeira vez no São Paulo mas não nos deram atenção. Tivemos uma ajuda muito grande do Daniel Tabushi, como o filho dele jogava futsal no Corinthians ele tentou marcar uma reunião para mostrar o projeto e conseguimos fechar a parceria com o clube. Depois disto alguns outros clubes começaram a dar mais atenção, o Audax fechou com o time de Peruíbe e em Goiás o Vila Nova também abraçou a causa. Com a parceria conseguimos realizar o sonho de muitos atletas que se não tivessem a deficiência não teriam tido a oportunidade de jogar por um time grande e ter a oportunidade de também viajar jogando pela seleção brasileira. Mas além do Corinthians também temos o apoio de algumas empresas locais que nos dão o suporte necessário para que os atletas possam se dedicar aos treinos e competições.

Como eram os campeonatos quando você começou a jogar?
Quando comecei a jogar os campeonatos brasileiros, existiam 16 equipes mas sem treinar como é hoje. Por exemplo, eu fazia a inscrição individual e a organização te encaixava num time, jogávamos sem ter entrosamento, sem conhecer nossos companheiros, isto aconteceu no período entre 2001 e 2007. Como a modalidade não é considerada um esporte paraolímpico não temos apoio financeiro do governo e temos que buscar recursos pelo nosso próprio esforço.
 
Hoje você faz parte da Associação Brasileira de Desporto para Deficiente Físico.
Sou o atual vice-presidente, conseguimos reestruturar a federação e temos o objetivo de crescer para podermos ajudar as outras entidades. Conseguimos também democratizar a seleção de atletas para o time principal dando mais oportunidades para mais atletas, pois agora em todas as competições existe o acompanhamento dos responsáveis pela convocação em busca de novos atletas que estão no nível que a seleção exige. Conseguimos fazer treinos periódicos com os atletas convocados depois dos campeonatos em várias cidades do Brasil. Hoje a base da seleção é nosso time do Corinthians pelos títulos que temos conquistado, temos 6 atletas convocados, temos a filosofia de que para ganhar você tem que treinar.
 
Participando de campeonatos internacionais você percebe alguma diferença na forma como lidam com a modalidade?
O apoio no exterior é muito maior. Na questão tática os times europeus são muito bem preparados, perdemos campeonatos em que participamos antes por este motivo, mas na questão técnica nós ainda somos melhores. Fomos para o México jogar duas vezes, uma sendo a Copa América e outra no Mundial, na Argentina jogamos a Copa América e também fomos para Angola jogar o Torneio da Amizade com mais 4 seleções africanas na cidade de Luanda.
 
Existe algum trabalho psicológico aos atletas?
Sim, também temos este trabalho com os atletas, alguns que chegam estão muito frustrados e alguns nem sabem usar direito as muletas, então fazemos toda esta parte de conversar com eles e ensinar gradualmente. Minha esposa fez o estágio da faculdade de psicologia em nosso time e acabou ficando com esta responsabilidade e os atletas têm conseguido crescer com o treinamento. Por exemplo o João Batista que gostava de participar de corridas, depois que passou a ter a deficiência veio participar do projeto e com a evolução dentro do futebol também viu a possibilidade de voltar a correr nas provas. Quem já gostava e praticava futebol antes geralmente vem muito desanimado mas depois percebe que isto não é problema.
 
Como é o cenário atual brasileiro para o futebol de amputados?
Temos 16 equipes filiadas à ABDF, a maioria no sudeste do Brasil. Temos durante o ano a Copa do Brasil no primeiro semestre e o Campeonato Brasileiro no segundo semestre, também acontece o Campeonato Paulista com a participação de convidados e os treinamentos periódicos da seleção brasileira. Mogi é atualmente o principal polo, pois temos um grande apoio da secretaria de esportes e a intenção é fazermos os campeonatos em locais diferentes mas quando não existe o apoio fazemos aqui mesmo. Queremos que as entidades de todo o Brasil tenha o mesmo patamar que conseguimos com o time de Mogi e também gradativamente melhorarmos as condições dos campeonatos com questões de alojamento e alimentação, mas para tudo isto precisamos de parcerias pois por ainda não sermos considerados uma modalidade paraolímpica não temos este recurso de incentivo vindo do governo.
 
Qual foi a reação da sua família quando decidiu se dedicar ao futebol?
Tive o apoio total, minha esposa também acabou se envolvendo, meu filho também joga pelo time de futsal do Vila Santista e no CSK.
 
 

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